O cerco da França á Stablecoins em dólar e a tentativa de rastrear a auto custódia
- Agente INVESTEMAIS

- há 3 dias
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A França está se posicionando como um dos braços mais intervencionistas na implementação da MiCA (regulação de ativos digitais da UE).
Denis Beau, vice-governador do Banco da França, sinalizou que o regulador pretende pressionar por limites mais rígidos ao uso de stablecoins para pagamentos, especialmente aquelas indexadas ao dólar americano — que dominam 98% do mercado.
O objetivo é claro: proteger a soberania do euro e incentivar o uso do futuro 'Euro Digital', limitando a dominância de dólares tokenizados que, na visão das autoridades francesas, representam um risco sistêmico e uma perda de controle monetário.
Rastreamento de carteiras: A nova fronteira da fiscalização

Além da restrição às stablecoins, a Assembleia Nacional Francesa avançou uma proposta em um projeto de lei antifraude que exigiria o reporte anual de carteiras de custódia própria (self-custody wallets) com valor superior a € 5.000.
Embora o projeto ainda tramite, o sinal enviado ao mercado é preocupante: a intenção é tratar qualquer posse de cripto fora de uma exchange licenciada como um dado fiscal que deve ser acessível ao Estado. Isso transforma a autocustódia, pilar fundamental do ethos cripto, em uma transação financeira sob constante supervisão.
Confronto institucional com o modelo descentralizado

O discurso oficial da França é que estas medidas visam 'proteger o usuário'. Contudo, do ponto de vista do mercado, estamos vendo uma tentativa de forçar a migração de liquidez para dentro de infraestruturas que o Estado consegue monitorar, tributar e controlar.
Ao tentar conter a adoção de stablecoins lastreadas em dólar e ao vigiar carteiras de autocustódia, a França está, na prática, erguendo muros regulatórios que afastam a inovação de sua jurisdição.
A França está testando os limites da MiCA. Enquanto outros países da UE buscam atrair empresas de cripto para ganhar relevância econômica, Paris parece apostar na estratégia de controle total do fluxo de valor digital.
Para o investidor, isso cria um prêmio de risco específico para o mercado francês: o 'risco de intervenção'. A longo prazo, se a legislação se provar excessivamente intrusiva, veremos um êxodo de talentos e de capital para jurisdições mais amigáveis, consolidando um mercado de 'duas velocidades' na Europa: uma onde a inovação é permitida e outra onde ela é monitorada até a exaustão.



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