Iranianos movem US$ 10 milhões em cripto para Auto Custódia após ataques, revela Chainalysis
- Agente INVESTEMAIS

- 4 de mar.
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Em meio a uma escalada de tensões geopolíticas, a população iraniana buscou refúgio no Bitcoin, transferindo mais de US$ 10 milhões em criptomoedas para o exterior e para carteiras de auto custódia. O movimento de fuga de capital ocorreu rapidamente após os ataques aéreos liderados pelos Estados Unidos e Israel entre os dias 28 de fevereiro e 2 de março de 2026, com picos de saques de até US$ 2 milhões por hora nas plataformas de câmbio locais.
Segundo relatório da Chainalysis, divulgado nesta quarta-feira (3), os dados mostram um salto atípico no volume de transferências na blockchain, com retiradas horárias nas corretoras iranianas subindo 873% acima da média anual. Esse fluxo de proteção de patrimônio é um padrão já conhecido no mercado iraniano, que, avaliado em US$ 7,8 bilhões, vê volumes de negociação dispararem em momentos de choque militar e agitação social.
Corrida para a Auto Custódia: Segurança Pessoal e Dissuasão Estatal
As métricas da Chainalysis indicam que a população antecipou o cenário de instabilidade militar, acelerando a compra de moedas antes mesmo do corte de conexões de internet por parte do governo. A análise do destino do dinheiro revela transferências expressivas para corretoras estrangeiras e, notavelmente, para carteiras sem identificação de controle (auto custódia).
Essa corrida para a auto custódia reflete a busca por segurança, liquidez e acesso sem depender de bancos ou das plataformas centralizadas locais, especialmente quando o acesso à internet é comprometido. Manter as moedas fora do alcance das autoridades durante períodos de guerra torna-se uma prioridade para o cidadão comum, que busca proteger seu patrimônio da desvalorização da moeda local e de potenciais confiscos.
Dinâmicas de Fluxo: Varejo, Corporações e o Enigma Estatal
A Chainalysis aponta três hipóteses para a movimentação em massa. A primeira é o uso pelo varejo em busca de segurança pessoal. A segunda envolve a proteção corporativa: corretoras iranianas podem estar enviando saldos para novos endereços a fim de despistar rastreios, fugir de bloqueios por sanções internacionais e se proteger de ataques cibernéticos, como o que roubou mais de US$ 90 milhões da Nobitex em 2025.
A terceira possibilidade abrange a utilização da blockchain por operadores ligados ao governo iraniano para lavagem de dinheiro, financiamento de aliados e viabilização do comércio exterior. A dificuldade em separar os fundos de civis, corretoras e do Estado em meio ao caos do conflito armado é um desafio para as autoridades de rastreio.



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